Eleições presidenciais realizam-se a 18 de janeiro com um recorde de candidatos: 11. Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos, uma segunda volta está prevista para 8 de fevereiro
As eleições presidenciais em Portugal estão marcadas para o próximo dia 18 deste mês, domingo. Os portugueses vão às urnas para eleger o novo presidente da República, que sucederá a Marcelo Rebelo de Sousa, que está no fim do seu segundo mandato e, por lei, não pode recandidatar-se a um terceiro mandato consecutivo. Na corrida à sua sucessão estão 11 candidatos.
Entre os favoritos, estão os candidatos dos dois principais partidos do país, que se têm alternado no poder nos últimos 50 anos: Luís Marques Mendes, apoiado pelo Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita, atualmente no governo, e António José Seguro, pelo Partido Socialista (PS), de centro-esquerda.
De acordo com as sondagens, vão enfrentar fortes desafios de André Ventura, líder do partido populista anti-imigração Chega, cujo aumento de apoio o tornou o segundo maior partido no Parlamento português no ano passado, e Henrique Gouveia e Melo, um contra-almirante reformado que concorre como independente e ganhou aclamação pública por supervisionar a rápida implementação das vacinas contra a Covid-19 durante a pandemia.
Concorrem ainda João Cotrim de Figueiredo, Catarina Martins, António Filipe, Jorge Pinto, André Pestana, Manuel João Vieira e Humberto Correia. (conheça a breve descrição política e posição ideológica de cada candidato na pág. seguinte)
Os 11 candidatos são um número recorde para eleições presidenciais no país. Este vasto leque de proponentes torna improvável que qualquer um deles consiga mais de 50% dos votos, levando os dois candidatos mais votados a disputar uma segunda volta prevista para 8 de fevereiro.
As últimas eleições para o presidente da República Portuguesa realizaram-se em 24 de janeiro de 2021, com Marcelo Rebelo de Sousa a ser eleito à primeira volta para mais cinco anos em Belém. O candidato foi também o mais votado no Concelho de Aguiar da Beira, com 68,11% dos votos, destacando-se na segunda posição André Ventura, com 15,8%. A taxa de abstenção nacional foi de 60,51%. Já no município aguiarense, não foram às urnas 71,18% dos votantes – um valor recorde.
11 Candidatos admitidos, mas 14 nos boletins de voto
Oficialmente estão admitidos 11 candidatos às eleições presidenciais, embora nos boletins de voto venham a constar 14 nomes, devido a irregularidades processuais que não foram corrigidas a tempo, apesar da notificação do Tribunal Constitucional (TC).
No entanto, isso não evita que constem dos boletins de voto para as eleições presidenciais, o que significa que haverá 14 nomes e fotografias, em vez dos 11 que foram admitidos, podendo criar alguma confusão no ato do escrutínio, assim considerou o candidato António José Seguro.
A Comissão Nacional de Eleições (CNE), disse, posteriormente que já não era possível retirar os três nomes dos boletins, o processo de impressão “já tinha sido iniciado” para que os boletins fossem enviados a tempo do voto antecipado, que acontece em datas distintas (5 e 8 para eleitores impedidos de se deslocarem, 6, 7 e 8 no estrangeiro e 11 de janeiro para o voto em mobilidade no território nacional).
Como e onde votar no concelho
No concelho de Aguiar da Beira, as assembleias de voto funcionam nas respetivas freguesias, em locais habituais como juntas de freguesia ou outros edifícios públicos. As mesas de voto estarão abertas entre as 8 e as 19 horas.
Para votar, os eleitores devem apresentar o Cartão de Cidadão. Quem não o tiver pode ser identificado através da base de dados do recenseamento eleitoral.
Esteve também disponível o voto antecipado (nas datas atrás mencionadas), particularmente importante para pessoas com mobilidade reduzida, eleitores deslocados, cidadãos que no dia da eleição não se encontrem no concelho.
O papel do presidente
Embora não governe, o presidente da República tem poderes relevantes: promulgar ou vetar leis; dissolver a Assembleia da República; nomear o primeiro-ministro; intervir politicamente em momentos de crise.
O próximo representante de Portugal terá, provavelmente, de decidir sobre algumas questões delicadas. Entre as questões urgentes, está uma proposta de nova lei que introduz limites sobre quem pode obter a cidadania portuguesa e em que circunstâncias ela pode ser retirada. No mês passado, o TC rejeitou a proposta, que foi devolvida ao Parlamento.
Um pacote governamental de reformas trabalhistas que já provocou protestos nas ruas e uma greve geral também chegará à mesa do presidente, assim como uma lei que permite a eutanásia e o suicídio assistido por médicos em Portugal, aprovada pelo Parlamento em 2022, mas que foi suspensa por objeções constitucionais.
Para concelhos do interior, o presidente pode ter também um papel determinante na visibilidade política do território, na pressão institucional sobre governos e na defesa da coesão territorial.
No entanto, até ao momento, as questões do interior, da desertificação e do envelhecimento populacional têm tido pouco destaque no debate nacional entre os candidatos.
Temas centrais para concelhos como Aguiar da Beira – agricultura familiar, serviços públicos de proximidade, mobilidade, saúde e fixação de população – raramente surgem como prioridade nas intervenções públicas dos candidatos.
Notícia da edição impressa 187, de 10 de janeiro de 2026









