Amor é o tema da obra, que tem a particularidade de ser assinada pelo seu heterónimo D.G.
Kati Campos é uma sonhadora, criou a D.G. para “acordada poder sonhar e escrever sem barreiras”, como referiu na apresentação da sua primeira obra literária – “Amadurece” – no Café Paraíso, em Aguiar da Beira, na noite de 2 deste mês de novembro.
Apesar de se ter licenciado em línguas e relações empresarias, sempre foi apaixonada pela escrita. Acredita que “a beleza da vida, está nas pequenas lições”. É fascinada pela “vida, o amor, a natureza, o sofrimento e o crescimento”. Sabe que “depois de qualquer tempestade, o sol sempre volta a brilhar”. Sendo a melhor parte, a lição que a vida lhe traz com intuito de algo novo lhe ensinar.
A jovem escritora de 23 anos iniciou a aventura na escrita com 12 anos, quando ainda vivia na Suíça, país onde seus pais (naturais da Cortiçada) estavam emigrados e ela nasceu, sendo o amor o tema da maioria dos seus textos.
“Já nessa altura escrevia para aliviar o que me ia na mente e no coração. Mais tarde quando comecei a aprender inglês passei a escrever mais coisas nessa língua, muitas vezes cheias de erros, mas eu gostava de escrever em inglês porque as palavras fluíam-me muito mais facilmente. Outra razão pela qual eu adorava escrever em inglês era o facto de poucas pessoas a minha volta perceberem a língua, por isso eu achava que estava a escrever algo que os outros não iam saber decifrar. Era uma forma de me sentir protegida e saber que podia escreve o que quisesse, sem medo de ser julgada ou criticada”, confessou para dezenas de pessoas presentes na sessão de lançamento.
No 12º ano escolar, já no Agrupamento de Escolas de Aguiar da Beira, Kati conheceu um dos amores da sua vida: Fernando Pessoa. “Na altura fiquei fascinada com a escrita dele e principalmente com os seus heterónimos. A D.G. nasceu então para eu poder escrever livremente sem preocupações e sem limitações, desta forma as pessoas não associavam aquilo que estava escrito a mim, nem à minha história. Eu gosto muito de observar e ouvir as pessoas, e nem sempre aquilo que a D.G. escreve retrata histórias vivenciadas por mim. É difícil para algumas pessoas perceber isso, e foi por essa razão que decidi manter-me anonima durante algum tempo”.
“Ama, endurece, amadurece”. São essas três palavras que compõem a palavra “amadurece” e dão nome e definem os três capítulos da publicação da coleção “Prazeres Poéticos”. “Amadurecer é um processo que advém desse crescimento depois do sofrimento ligado ao amor”, referiu a autora.
“Todos nós nascemos para amar, e é isso que viemos aqui fazer. Talvez se o fizéssemos mais o mundo seria um lugar melhor. Todos nós passamos por este processo, pelo menos uma vez na vida, e é importante perceber que é um processo. Não devemos nunca achar que a vida acabou porque um amor se esgotou. Certamente que tudo acontece por uma razão. Com o tempo vamos aprender a respeitar o processo. Sabemos que amar e sofrer faz parte, e está tudo bem em sofrer, só assim vamos amadurecer e encontrar mais amor”, explicou.
Kati leu ainda alguns textos publicados no livro e analisou o seu sentido com o público, que também teve a oportunidade de recitar três poemas da autora.
O livro, editado pela Chiado Books, tem 116 páginas compostas por fotografias e poemas de amor da autora, alguns deles publicados em números anteriores do nosso jornal, na coluna mensal que a escritora assume também como D.G. e que iniciou em 2017.











