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Holandeses caminham pelo vale do Dão

Freya van Dien e Nadine van Shie percorreram um total de 120 km da nascente do rio na Barranha até ao local onde desagua na Barragem da Aguieira

“Quando falo sobre isso tenho arrepios. Foi uma grande descoberta. A cada passo uma parte do vale abre-se e descobrimos muitas coisas novas”, comentou ao Jornal do Centro, Freya van Dien, que destacou “o contacto direto com a biodiversidade da região do Dão, a observação de novas espécies de pássaros e plantas, sendo uma experiência muito rica para quem faz o vale a pé”. Também para a amiga, Nadine van Shie, “foi uma experiência única. Estou apaixonada pelo país, as pessoas, a comida, o rio e a natureza”, disse.

Fazer o caminho do Dão a pé foi a concretizar de um sonho para Freya, que começou há seis anos quando se radicou em Fornos de Maceira Dão. concelho de Mangualde, onde se encontra a gerir uma eco quinta – Moinhos do Dão – localizada nas margens do rio.

Desde então que a ambientalista, nascida na Holanda, tinha como objetivo descobrir o rio Dão de forma mais profunda. “Queria conhecer a vida que está nas margens deste rio e vi uma potencial possibilidade de criar uma atividade para que outras pessoas possam conhecer melhor o vale do rio Dão que eu amo muito e é o meu habitat”, explicou ao mesmo órgão de comunicação social.

Na aventura teve a companhia da amiga Nadine van Shie, que assim que recebeu o convite de Freya aceitou de imediato e marcou a viagem para Portugal. As duas percorreram 120 km em 11 dias, no início do mês anterior, desde a nascente do rio na Barranha, Freguesia de Eirado, até ao local onde desagua no rio Mondego, em plena albufeira da Barragem da Aguieira, nos limites dos concelhos de Santa Comba Dão, Mortágua e Penacova.

Ao longo do trajeto a biodiversidade da natureza foi uma agradável surpresa, mas também “vimos, infelizmente, muito lixo como plástico ou detritos”. Outra das particularidades é a qualidade da água que vai alterando conforme se desce o vale do Dão. “No início é cristal e o fim é mais cinzento escuro, não se consegue ver bem. Há material orgânico que causa isso, mas também descargas”, lamentou Freya, acrescentando que a região se encontra ainda muito afetado dos incêndios de 2017.

Segundo a notícia do Jornal do Centro, a mulher de 45 anos tem o objetivo de desenvolver o projeto “Cuida Dão”, que visa contribuir para um desenvolvimento sustentável. “Quero conhecer o rio, mas também fazer algo que possa melhorar as condições da natureza, dos animais e das pessoas que vivem no vale”, explicou. Além de ambientalista, a missão é fazer do caminho um projeto turístico, levando grupos a atravessar o trilho de forma guiada.

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