Que a nossa democracia está doente há muito tempo e que a sua doença se vem agravando, julgo que ninguém tem dúvidas. Bons tempos aqueles, a seguir ao golpe de 25 de Abril, quando tomaram assento na Assembleia da República pessoas com categoria, os melhores do regime anterior e os que aguardavam a sua vez na oposição e venceram os restos da ditadura caduca e os extremistas emergentes, apostados em impor nova ditadura de cariz marxista. Em diálogo, por vezes tumultuoso, construíram pontes, aprovaram uma constituição que ainda perdura e que não nos impediu de termos chegado até aqui.
Depois começaram a chegar os arrivistas, oportunistas e outros com classificações terminadas em “istas” e “ismos” e agora é o que se vê. A democracia não criou regras para impedir que essa gente, na maior parte, sem categoria para o exercício dos cargos, sem conhecimentos e eivados de incompetência descarada fossem tomando de assalto os partidos e, com raríssimas excepções, alcandorando-se aos órgãos do poder, de cima abaixo, com as consequências que se observam por todo o lado e a todos os níveis, desde os mais altos cargos, até às assembleias das freguesias.
Agora, na Assembleia, não se discutem problemas, não se buscam consensos. Imperam a gritaria esquizofrénica, os insultos malcriados de gente sem cultura. Quando aparece alguém com argumentos logo lhe respondem com gritos. Quando alguém apresenta propostas sérias, de reforma do sistema – Ai! o sistema! – logo avançam com dificuldades, dizendo que isso não é possível ou escondendo com falsos argumentos que o que procuram é conservar os votos que os mantêm ou os alcandoram ao poder. Isso é para eles o mais importante.
A maioria dos jornalistas segue o mesmo rumo, provocando os entrevistados e comentadores correctos, para os tirarem do sério e serem conduzidos para discussões estéreis, nulas de argumentos. Vejo pouca televisão, mas assisto a alguns debates que são autênticos ataques à inteligência de quem se preza por uma discussão bem fundamentada, com argumentos sérios e pertinentes e não desvios para coisas inúteis, à falta de repostas convincentes para os restantes comentadores. Não vou dar exemplos para não fugir ao tema e não perder nem fazer perder tempo a quem me lê.
E que dizer da dificuldade de diálogo entre pessoas, certos comentadores e políticos, apenas apostados em impor as suas ideias, não apresentando propostas com pés e cabeça, e reconhecendo erros de governação, como ainda se viu nas recentes discussões e debates para as eleições autárquicas. E quanto às presidenciais, a procissão ainda vai no adro. Mas, pelas amostras que temos visto e a que temos assistido, há candidatos que estão a ir pelos mesmos caminhos, à falta de argumentos para contestarem as ideias e as propostas dos seus adversários. Apontam falta de experiência, alertam para perigos que apenas eles vislumbram, mas sem fundamentos ou argumentos sérios. O que interessa é retirar da frente quem lhes possa fazer sombra ou mossa nos resultados das votações de quem detém o poder, que são todos os portugueses, independentemente das suas cores políticas, convicções religiosas ou condições sociais. Muitos batem sempre nas mesmas teclas procurando, de forma ignominiosa, que os incautos cidadãos, com muita ou pouca cultura, enfeudados aos partidos onde sempre militaram, respeitem a disciplina de votos e se mantenham cegamente fieis àquilo que lhes dizem para acreditarem. Outros, de esquerda e de direita, gritando, não apenas na Assembleia, mas, igualmente, nas ruas, procuram convencer o poviléu da assertividade das suas propostas as quais, na maioria das vezes, não passam de espúrias patranhas.
O engano, a mentira e a distorção das opiniões e dos fundamentos dos demais acabam por convencer alguns incautos e mesmo bem informados, que nem sequer se dão ao trabalho de parar, para reflectirem um bocadinho, sobre a falsidade do que lhes propõem políticos oportunistas. Muitos que apenas lutam pelo “tacho”, quantas vezes pequeno, mas suficiente para eles se aguentarem e depois fazerem negócios e retirarem dividendos de tudo isso que por vezes nem imaginamos, mas a sua malformada consciência os leva a concretizar sem nos apercebermos do erros que cometemos ao colocá-los no poder.
E é aqui que entram os revolucionários de pacotilha da chamada flotilha dos fracassados. Tão fracassados, que andaram dois meses pelo Mediterrâneo adiante sem chegarem ao destino. Terão comido ou dado destino incerto aos bens que levavam e regressaram aos seus países envoltos em vergonha e desdém, vendo, passados poucos dias, os seus alegados “protegidos” a celebrarem um acordo de paz, contra a vontade dessa malta, aburguesada, desprovida de senso, contudo, prenhe de falsa humanidade. Uma nota final para o Prémio Nobel da Paz, atribuído a Maria Corina Machado, da Venezuela, galardão atribuído contra a vontade e a maledicência de um lunático, vaidoso e egocêntrico, que governa o país mais rico e poderoso do mundo, pois queria ser ele o galardoado, depois das asneiras que tem dito e feito contra a paz no mundo e a concórdia entre os povos. Tiago André Lopes um dos “comentadeiros” da nossa praça, abusando da liberdade de que usufrui aqui, também acha que a laureada não tem nada de pacifista. Pois não: Ela luta pela liberdade e pela democracia no seu país, enquanto este e outros como ele apoiam a vergonhosa e ilegal intervenção de Putin na Ucrânia.












