Diversos alunos do Agrupamento de Escolas de Aguiar da Beira tiveram dificuldades e/ou ficaram impedidos de acompanhar o ensino, por falta de internet ou outros recursos
Francisco Correia, aluno do 7º ano da Escola Padre José Augusto da Fonseca, de Aguiar da Beira, esteve três semanas sem conseguir aceder ao ensino à distância, inclusive aos planos de trabalhos que lhe chegavam por e-mail, ficando sem aulas e sem acompanhamento.
“Não temos internet, nem temos hipótese de instalar internet, porque é muito cara. Aqui em casa, no último piso, às vezes, conseguimos apanhar a da junta, que é grátis, mas não é sempre. e é no quarto do meu filho mais velho, que no início não deixava o Francisco ir para lá, nem utilizar o único computador que temos”, justificou Sónia Nascimento.
A mãe do Francisco e de mais dois filhos, um com 18 anos e outro recém-nascido, confirmou que “a diretora de turma ligou várias vezes a saber porque é que o Francisco não estava a acompanhar as aulas e a fazer os trabalhos”. Mas, “a situação só se resolveu com um computador emprestado e uma placa de internet móvel paga por um professor dele, que soube do caso”.
“A partir daí tenho acompanhado sempre as aulas e feito os trabalhos”, garantiu Francisco, que até então, diz que não teve aulas e nunca recebeu nenhum trabalho ou tarefa por outro meio que não o eletrónico. E até gosta do ensino à distância: “é mais difícil de acompanhar, mas é melhor porque não tenho de me levantar tão cedo”, referiu, confessando ainda que tem saudades da escola e lhe faz falta o convívio com os colegas.
Como o Francisco, o +Aguiar da Beira tem conhecimento que, mais de uma dezena de crianças do concelho passaram por uma situação idêntica, tiveram dificuldades e/ou ficaram impedidos de acompanhar o ensino, por falta de internet ou outros recursos, tendo conseguido ultrapassar o problema apenas e graças à ajuda de alguns professores, que emprestaram cartões de dados móveis e computadores aos seus alunos.
No entanto, a diretora do Agrupamento de Escolas de Aguiar da Beira, afirma que “o ensino à distância decorre com normalidade, estando os alunos a ser acompanhados pelos respetivos conselhos de turma, que concertam estratégias e esforços para atender aos contratempos que, eventualmente, possam surgir”. “Nesta concertação de esforços, são acionados todos os mecanismos disponíveis e tidos como adequados face às situações concretas, incluindo a via postal e a receção de materiais em mão”, garante Elisabete Bárbara.
O ensino à distância tem dado que falar, por ter colocado a “nu” as desigualdades no acesso à educação, pois há ainda muitas famílias e alunos no concelho sem internet ou meios tecnológicos.
O assunto tem, por isso, sido debatido na autarquia, nomeadamente levado às reuniões de câmara pela vereadora do PSD e professora no agrupamento, Sandra Correia, que questionou “quais os procedimentos que o município se encontra a desenvolver no sentido de colmatar as necessidades dos alunos impedidos de assistir às aulas on-line, por falta de computador e/ou internet, apelando, para que fosse feita articulação com o agrupamento de forma a solucionar o problema”, e apontando que “deveria existir um funcionamento em rede, conforme se encontra explanado no plano da escola em casa, mas que na prática não tem existido”.
Em resposta, o presidente do município diz ter sido “reportada a necessidade de acesso à escola virtual de cinco alunos pelo Agrupamento de Escolas Padre José Augusto da Fonseca, tendo sido solicitada a necessidade de estabelecer critérios para a atribuição desses apoios públicos”, “o que nunca lhe foi comunicado pelo agrupamento”, garantiu ao nosso jornal.
Joaquim Bonifácio acrescentou ainda que, “no entanto, o dever de suprir essas necessidades pertence ao Ministério da Educação que, neste momento, está a tomar medidas para assegurar a universalização do acesso e utilização de recursos educativos digitais para combater as desigualdades do ensino à distância”.











