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“Feira dos vinte” marca convívio em Mosteiro

Presidente da Junta de Freguesia propõe alteração de data, devido à fraca afluência tanto de população como de feirantes.

A feira anual do Mosteiro – “Feira dos Vinte” -, na freguesia de Pena Verde, realizou-se no passado dia 20 de janeiro e contou com o tradicional convívio social e também com a celebração religiosa e festiva em honra do padroeiro Mártir São Sebastião.

Apesar da afluência, tanto de população como de feirantes, já não ser o que era, nem mesmo o tempo ameno convidou mais gente a visitar esta feira de ano. O facto de ter coincidido com outras feiras semanais noutros concelhos, também não ajudou.

“Foi uma feira razoável. Apesar de ter estado abaixo das expectativas, foi positivo”, referiu o presidente da Junta de Freguesia de Pena Verde. Perante este panorama de perda de visitantes, Armindo Florêncio, propõe que se altere a data, de forma a atrair mais população.

“Uma das sugestões, é a feira ser mudada para o sábado sempre seguinte ao dia 20, no intuito de angariar mais pessoas e de estarem mais disponíveis para a feira de ano”, disse o autarca local.

Mas, no geral, quem percorreu a feira gostou, num evento em que a confraternização dos populares, alimentada em grande parte pelos “come e bebes”, continua a ser o principal destaque.

“É isto que faz falta. Dá para estar com as pessoas que já não víamos há muito tempo. Quando se está lá fora, sente-se falta de muita coisa”, é o desabafo de Francisco Marques, natural de Dornelas, que esteve emigrado na Suíça, durante mais de trinta anos.

Por sua vez, a sua esposa, Rosa Marques destaca a importância do convívio entre a população. “Sempre gostei muito de vir às feiras. Acho que não deviam acabar. Mais que não seja para o convívio. A gente vê nas feiras pessoas que já não consegue ver há muito tempo. Mas, as pessoas cada vez mais convivem menos umas com as outras”.

Teresa dos Santos, doméstica, natural e habitante de Pena Verde foi mais otimista, “há aqui muitos tendeiros, o tempo também ajuda e a feira está muito bonita”.

Apesar do otimismo, os constantes desafios e a falta de apoios acabam por ditar o esmorecimento destas feiras. Numa balança cada vez mais desequilibrada, feirantes e comerciantes de rua lutam hoje para manterem uma tradição, numa altura em que o futuro é cada vez mais incerto.

NEM AS FEIRAS ESCAPAM À INFLAÇÃO: VENDEDORES SENTEM CADA VEZ MAIS DIFICULDADES
Com a subida dos preços, há menos pessoas a comprar e os feirantes revelam que têm margens de lucro cada vez mais curtas.

Que o diga Ana Mendes, vendedora do biscoito “Doce da Teixeira”, que vem de Lamego e que nos confidenciou o seu descontentamento. “Quem precisa, tem que estar. Temos que fazer das tripas, coração. Já não compensa. Cozemo-lo e depois temos que o ‘despachar’. E se não o vender estraga-se. Então vale mais fazer o dinheiro do material, mesmo que não ganhe nada, do que se estragar. E sabe? O povo, a gente pede, mas eles é que fazem o preço. É a vida”.

O desagrado de uma feirante, numa altura em que as matérias primas registaram uma subida a pique, o que levou a que, invariavelmente, o preço ao consumidor final desta iguaria típica também subisse.

À semelhança da sua conterrânea, e no mesmo ramo, Maria Diogo, de 58 anos, já faz a feira de ano há mais de vinte. “Tenho fregueses de há muitos anos. Gosto muito de cá vir. Mas o negócio não está famoso. Não há dinheiro, mas olhe, estamos cá, é o que interessa. A feira está mais fraquinha. Antes [o Doce da Teixeira] era a 2,50 euros e agora é a 3 euros, e as pessoas já não querem. Não dá para fazer diferente. Bem pena tenho de não poder fazer mais barato, mas a gente também tem que ganhar alguma coisa”.

Questionada se ainda compensa fazer esta feira, a vendedora desabafa com desânimo: “nem por isso. Já não se ganha muito. O gasóleo, a farinha, os ovos, o açúcar, ao preço que estão… mas pronto, a gente está habituada a vir. E isto basicamente são sempre os mesmos fregueses, de ano a ano. Não se veem pessoas diferentes”.

O desalento é transversal a todos os feirantes, dos mais variados setores.
É o caso de um vendedor de calçado de São João da Pesqueira, que costuma fazer as feiras semanais no concelho, onde as queixas recaem invariavelmente no mesmo tema: elevado custo de vida e inflação generalizada. “A feira está fraca. Falta dinheiro e gente”.

Outra vendedora de têxteis, Alice Parente, da União de Freguesias de Aguiar da Beira e Coruche, recorda saudosista: “não é como há 20/30 anos atrás, que era todo o dia. Era aqui que se comprava a azeitona para curtir. Agora já nem sem vê nada. Estou aqui pertinho, por isso a gente tem que aproveitar. As pessoas ainda vão comprando umas coisinhas: as meias, as calças… e hoje se estivesse mais frio era ainda melhor, para se vender os gorros, mas pronto, não se pode ter tudo”.

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